A revolução que a fotografia digital causou na vida humana

Por Ethevaldo Siqueira
06/02/2018 - A fotografia digital atualmente faz parte da vida diária de mais de 4 bilhões de seres humanos. Talvez os ouvintes mais jovens não se lembrem do que era fotografia analógica, com filmes que exigiam revelação química, além da cópia em papel especial.

Com a foto digital tudo é instantâneo e com a melhor qualidade possível. É impressionante a evolução da foto digital, em especial nas microcâmeras embutidas em nossos celulares.

Na verdade, essa revolução começou há mais de 30 anos com a criação de circuitos eletrônicos revolucionários, que permitiram a detecção de luz. Com eles, a foto digital começou a se popularizar em escala mundial, a partir do final dos anos 1990. Seu grande salto ocorreu com a chegada dos primeiros celulares com câmera digital, depois de 2001.

Além dessa popularização da fotografia, a tecnologia digital possibilitou centenas de outras aplicações profissionais, em medicina e pesquisa científica.

Até o ano 2003, quando surgiram as primeiras câmeras embutidas em celulares, a média mundial era de uma foto por ano por habitante. Hoje é de 50.

A foto digital dos smartphones multiplicou por 50 a média anual de fotos feitas por habitante do planeta. Assim, em 15 anos, saltamos de 6 bilhões de fotos por ano para 300 bilhões – ou 50 vezes mais.

Tudo nasce com os chips CCD-CMOS

Um dos desenvolvimentos fundamentais dessa área foi o semicondutor CMOS (Complimentary Metal-Oxide Semiconductor), ou seja, um chip de semicondutor montado sobre uma placa ou lâmina de silício, alimentado por bateria, que armazenam informações dentro de computadores

Na verdade, essa revolução começou com a criação de um circuito revolucionário, o CCD (sigla de Charge-Coupled Device, que, em português, se traduz por Dispositivo de Carga Acoplada) no Bell Labs em Nova Jersey. Embora os circuitos CCDs não sejam a única tecnologia a permitir a detecção de luz, os sensores de imagem CCD têm sido largamente utilizados em aplicações profissionais, médicas e científicas onde são necessários dados de imagem de alta qualidade.

Já em aplicações com menores exigências de qualidade, como câmeras digitais profissionais ou semiprofissionais, ou para consumidores, são usados geralmente sensores de pixel ativos (CMOS). As vantagens de qualidade que os CCDs proporcionavam no início diminuíram ao longo do tempo com a evolução dos semicondutores CMOS.

Fundamentalmente, um dispositivo CCD é um circuito integrado gravado sobre uma superfície de silício, que formam os elementos sensíveis à luz, chamados pixels. Os fótons incidentes nesta superfície geram uma carga elétrica que pode ser lida eletronicamente e transformada em uma cópia digital dos padrões de luz que caem sobre o dispositivo.

Os CCDs são hoje produzidos em grande variedade de tamanhos e tipos e são usados em muitas aplicações de câmeras fotográficas digitais, nos telefones celulares, bem como em aplicações científicas mais exigentes, ou high-end.

George Smith e Willard Boyle (falecido) tiveram a idéia de criar este sensor CCD em 1969 – mas para uso como um circuito de memória do computador. Foi o seu colega, o Dr. Tompsett, que viu o seu potencial para tirar fotografias.

Até aquela época, as pessoas tinham que esperar vários dias para ver imagens capturadas em filmes, enquanto elas eram processadas em laboratórios. A primeira fotografia digital em cores foi da esposa do Dr. Tompsett, Margaret, e apareceu na capa da revista Electronics. Em aplicações com menores exigências de qualidade, como câmeras digitais profissionais ou semiprofissionais, ou para consumidores, são usados geralmente sensores de pixel ativos (CMOS). As vantagens de qualidade que os CCDs proporcionavam no início diminuíram ao longo do tempo com a evolução dos semicondutores CMOS.

Fundamentalmente, um dispositivo CCD é um circuito integrado gravado sobre uma superfície de silício, que formam os elementos sensíveis à luz, chamados pixels. Os fótons incidentes nesta superfície geram uma carga elétrica que pode ser lida eletronicamente e transformada em uma cópia digital dos padrões de luz que caem sobre o dispositivo. Os CCDs são hoje produzidos em grande variedade de tamanhos e tipos e são usados em muitas aplicações de câmeras fotográficas digitais, nos telefones celulares, bem como em aplicações científicas mais exigentes, ou high-end.

George Smith e Willard Boyle (falecido) tiveram a idéia de criar este sensor CCD em 1969 – mas para uso como um circuito de memória do computador. Foi o seu colega, o Dr. Tompsett, que viu o seu potencial para tirar fotografias.
Um especialista do MIT

Ramesh Raskar (foto), pesquisador e professor associado do MediaLab – o Laboratório de Mídias do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), está no Brasil há alguns anos e me deu uma magnífica entrevista. Raskar estuda o impacto do uso das câmeras digitais sob ângulos totalmente novos.

Em palestra proferida na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Raskar apresentou algumas conclusões de seus estudos, revelando aspectos realmente surpreendentes das mudanças ocorridas no comportamento humano com o uso da imagem digital.

Na visão do pesquisador, assistimos à emergência do que poderia ser chamado de Cultura da Câmera (Camera Culture). A partir do lançamento dos primeiros celulares com câmeras fotográficas digitais em 2001, a humanidade ganhou mais de um bilhão de novos fotógrafos em apenas sete anos. Os maiores fabricantes mundial de câmeras digitais não é mais Agfa, Panasonic, Nikon, Sony ou Canon. São empresas líderes na fabricação de smartphones, como a Samsung e Apple.

Bilhões de fotos

Nesse curto período, como consequência direta da evolução da tecnologia digital e de sua popularização via telefone celular, o número de fotos feitas anualmente em todo o mundo multiplicou-se por dez. E a internet se tornou o maior repositório de imagens do planeta: somente o Google e seu YouTube armazenam hoje mais de 800 bilhões de fotos e vídeos digitais.

O celular é hoje uma espécie de canivete suíço eletrônico. Além de transmitir a voz, faz fotos e vídeos digitais, acessa a internet, envia e recebe e-mails, baixa música, faz pagamentos eletrônicos, permite a navegação e localização via satélite (GPS) e muitas outras coisas.

O fenômeno mais relevante dessa proliferação mundial de um bilhão de minúsculas câmeras digitais – embutidas em telefones celulares e, mais recentemente, em laptops e palmtops – parece ter sido a produção e o intercâmbio de bilhões de fotos e vídeos digitais. Imagine em 2020, quando o mundo terá cerca de 10 bilhões de câmeras digitais incorporadas a celulares.

Como tema de estudo e reflexão, a partir dos anos 1990, a fotografia moderna passa, então, a oferecer ângulos tão diversos quanto ubiquidade, aspectos socioculturais e computacionais, pois assistimos, ao mesmo tempo, ao compartilhamento da imagem em tempo real com o crescimento das redes sociais. "Não se trata de mera expansão quantitativa da imagem. O fato novo é o relacionamento entre as pessoas, baseado cada dia mais no registro e na ânsia de consumir imagens" – afirma o pesquisador.

Supercâmara

Como objeto de estudos no MediaLab, esse campo múltiplo evolui em três fases. A primeira é a da construção de uma supercâmera que melhora o desempenho fotográfico em relação aos seus parâmetros tradicionais, seja como gama dinâmica, campo de visão e profundidade de campo.

Raskar analisa imagens nessa supercâmera capaz de fazer fotos até em um femtossegundo (um quatrilionésimo de segundo). Vale lembrar que um femtossegundo está para um segundo, assim como um segundo está para 32 milhões de anos.

A segunda fase dos estudos é a da construção de ferramentas complementares de análise que possibilitam ao pesquisador ir muito além da capacidade da supercâmera, permitindo-lhe capturar e compartilhar melhor a informação visual.

A terceira fase das pesquisas se concentra na busca dos significados da imagem digital nos diferentes campos de aplicação. Armado com esse arsenal dos mais sofisticados recursos tecnológicos, Raskar aprimora e recupera até a resolução de fotos desfocadas, compara e discute as qualidades e características do olho humano, que é em sua opinião, a mais incrível câmera fotográfica que conhecemos.

"Uma coisa é gostar de fotografia e ter boa experiência com ela" – diz Raskar. "Outra é refletir sobre os incontáveis aspectos e ângulos que essa arte tem, em especial. Isso nos permite compreender o mundo além dos limites da capacidade perceptiva humana e do próprio conhecimento que dele temos hoje."

É claro que a abordagem computacional de Raskar não pretende cobrir todo o universo de aplicações da fotografia ou da imagem digital em geral. Interessa-lhe mais de perto o papel que a captura e a análise da informação visual desempenham, seja na fotografia propriamente dita, seja na arte, na imagem médica, na pesquisa científica, na telepresença, na segurança do trabalhador, no estudo do meio ambiente, na robótica e no entendimento das cenas em geral.

A saudade do papel

Para Raskar e outros conservadores, o lado negativo de toda essa revolução é a redução drástica do número de cópias de fotos em papel em relação às fotografias digitais feitas. No passado, só os slides não eram em papel. Com isso, perdeu-se o prazer do manuseio físico das cópias, a alegria de folhear a qualquer hora, compartilhando com outra pessoa, um álbum de fotos.

Ver fotos no computador não é a mesma coisa que admirá-las numa bela cópia impressa. Quem tem paciência de ler livros inteiros numa tela de laptop? Perdeu-se também o cuidado especial que se dedicava a cada foto. Hoje, tiram-se milhares, sem prestar atenção a detalhes, que antes eram fundamentais para se obter uma boa foto.

 

 

Deixar seu comentário

0
termos e condições.
  • Nenhum comentário encontrado

newsletter buton