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No Chile, radiotelescópios espiam o Universo


Por Ethevaldo Siqueira
10/04/2017 - Se você puder, vá um dia ao Chile e visite o deserto de Atacama, no extremo norte do país, num planalto a 5.000 metros de altitude sobre o nível do mar. Lá, você conhecerá um dos maiores radiotelescópios do mundo. A rigor, é um rádio-observatório, com 66 antenas de radioastronomia, localizado na Zona de Chajnantor, nas proximidades da vila de San Pedro de Atacama. Lá, o céu é um dos mais limpos e mais secos do planeta. Você jamais esquecerá a beleza de um céu estrelado nas vizinhanças dessa floresta de parabólicas. As visitas são permitidas nos sábados e domingos.
(acesse: http://almaobservatory.org/en/about-alma/alma-public-visit)


Olhe para estas fotos. Para quem não está familiarizado com radioastronomia essas imagens parecem à primeira vista parabólicas comuns usadas para telecomunicações de uma estação terrestre de comunicação via satélite. Mas elas compõem o mais moderno rádio-observatório do planeta, formado por um conjunto antenas que “falam” com o Universo. 


Esse é o projeto ALMA – sigla Atacama Large Millimeter Array, que reúne e integra um conjunto de 66 antenas, 54 das quais com 12 metros de diâmetro e as demais com 7 metros de diâmetro. Que significa “millimeter array”? No caso, quer dizer que essa grande fileira (large array) de 66 antenas capta sinais de rádio com comprimentos de onda milimétricos, ou seja, de 0,3 a 9,6 milímetros. É nessa frequência e comprimento de onda que se obtêm as imagens de mais alta resolução ou nitidez até agora.


A cooperação internacional se amplia agora com a participação do Observatório Haystack do MIT (Massachusetts Institute of Technology), que associa sua rede global de radiotelescópios ao ALMA. Com tal rede de antenas avançadas, o ALMA poderá produzir algumas das imagens de mais alta resolução que os astrônomos já obtiveram até agora. Para se ter uma ideia do nível de detalhes, vale dizer que, se nossos olhos tivessem a mesma acuidade visual do novo sistema, poderíamos perceber e contar os pontos de uma bola de beisebol localizada a 12.800 km de distância.

A construção de ALMA começou em 2003. As primeiras observações científicas foram realizadas em 2011 e a inauguração ocorreu em 13 de março de 2013. Seu investimento total é da 1 bilhão de euros, com a parceria entre países da Europa, por intermédio da ESA (European Space Agency), e outros países da Ásia Oriental e da América do Norte – além da cooperação do Chile.

 

 

 

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