Twitter mentiu sobre falhas de segurança, diz denunciante

Em uma audiência no Senado, Peiter Zatko, ex-chefe de segurança do Twitter, disse aos legisladores que a empresa mentiu sobre suas práticas de dados.

David McCabe e Kate Conger, do New York Times

Antigo alto funcionário de segurança do Twitter disse a parlamentares em uma audiência na terça-feira que os executivos priorizaram tanto os negócios da empresa que desconsideraram as preocupações sobre a infiltração de governos estrangeiros em suas operações e enganaram os reguladores sobre suas práticas de privacidade.

Peiter Zatko, que era o principal funcionário de segurança do Twitter antes de ser demitido em janeiro, testemunhou que o FBI havia notificado a empresa durante seu mandato de que “havia pelo menos um agente” do Ministério da Segurança do Estado da China “na folha de pagamento dentro do Twitter”. Em outra conversa sobre um possível agente estrangeiro dentro do Twitter, contou Zatko, um executivo disse que, como “já temos um, o que importa se tivermos mais”.

Membros do Comitê Judiciário do Senado, que convocou a audiência, expressaram preocupação com as acusações de Zatko, que ele fez pela primeira vez em uma denúncia que se tornou pública no mês passado. O senador Charles E. Grassley, de Iowa, o principal republicano do comitê, disse não ver como o presidente-executivo do Twitter, Parag Agrawal, poderia manter seu emprego se as alegações fossem verdadeiras.

"O Twitter tem a responsabilidade de garantir que os dados sejam protegidos e não caiam nas mãos de potências estrangeiras", disse Grassley.

O testemunho de Zatko aumentou a turbulência no Twitter enquanto o serviço de mídia social enfrenta questões sobre sua sobrevivência. A empresa, com sede em São Francisco, está envolvida em uma batalha com Elon Musk, o presidente-executivo da Tesla, que concordou em comprar o Twitter por US$ 44 bilhões em abril antes de tentar desistir do acordo. A empresa insistiu que a compra fosse adiante e processou Musk, com um julgamento sobre o caso marcado para o próximo mês.

Os acionistas do Twitter votaram na terça-feira para aprovar o acordo com Musk, embora ainda não se saiba se a aquisição será concluída. A aprovação era esperada; os acionistas normalmente não rejeitam negócios. O Twitter disse que 98,6 por cento dos votos dos acionistas aprovaram o acordo, de acordo com uma contagem preliminar.

A audiência na terça-feira mostrou que “o Twitter está agindo de forma perigosa e negligente para dar as costas à segurança do usuário”, disse Nora Benavidez, conselheira sênior da Free Press, um grupo de defesa que pediu que o Twitter faça mais para combater a desinformação.

O Twitter negou as acusações de Zatko, dizendo em um comunicado que “a audiência de hoje apenas confirma que as alegações de Zatko estão repletas de inconsistências e imprecisões”.

A denúncia de Zatko se envolveu na briga de Musk e do Twitter pela empresa. Os advogados de Musk aproveitaram as declarações de Zatko para sustentar seu argumento de que o Twitter enganou o bilionário sobre o volume de contas de spam no serviço.

Musk afirmou que deveria ser capaz de abandonar a aquisição do Twitter porque a empresa minimizou o número de contas fraudulentas no serviço. Zatko disse em sua queixa que Agrawal havia enganado Musk depois que o bilionário revelou suas preocupações.

Um porta-voz da equipe jurídica de Musk não respondeu a um pedido de comentário.

Na audiência de mais de duas horas na terça-feira, dia 6, Grassley disse que Agrawal havia “rejeitado o convite deste comitê alegando que isso prejudicaria o litígio em andamento do Twitter com Musk”.

"Muitas das alegações implicam diretamente no Sr. Agrawal, e ele deveria estar aqui para abordá-las", disse Grassley.

Zatko chegou a um acordo de US$ 7 milhões com a empresa. Mas depois de sua saída, descreveu os executivos do Twitter como despreocupados com possíveis falhas na segurança, especialmente quando isso poderia colocar em risco os resultados da empresa. Ele disse ter dito a um executivo que estava “confiante” de que havia um agente estrangeiro dentro da empresa.

“E a resposta deles foi: 'Bem, já que já temos um, o que importa se tivermos mais. Vamos continuar aumentando o escritório'”, disse Zatko aos legisladores.

Os promotores acusaram dois ex-funcionários do Twitter em 2019 de atuarem como agentes do governo da Arábia Saudita, dizendo que usaram seus cargos para obter acesso a informações sobre críticos do governo saudita. Um júri da Califórnia condenou um deles por algumas das acusações no mês passado; o outro homem deixou o país antes que as autoridades pudessem prendê-lo.

Durante a audiência, Zatko também reiterou que o Twitter havia enganado a Comissão Federal de Comércio sobre suas práticas de dados e que havia violado os termos de um acordo de 2011 que havia alcançado com a agência. O Twitter deturpou à FTC se ele exclui os dados de um usuário quando o usuário sai do serviço, disse ele. Ele acrescentou que não esteve diretamente envolvido em conversas entre o Twitter e a agência, mas foi informado sobre as discussões por “pessoas envolvidas nas ligações”.

Vários senadores perguntaram se os regulamentos que regem as empresas de tecnologia eram inadequados. Os legisladores há anos consideram uma legislação que estabeleceria novas regras de privacidade e concorrência para as maiores plataformas de tecnologia. Mas esses esforços ainda não deram frutos.

“Algo bom virá disso. Você acredita nisso?" — perguntou o senador Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul.

"Espero que sim", disse Zatko. “Estou basicamente arriscando minha carreira e reputação.”

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