CES, um evento incrível pelos produtos que lançou

Por Ethevaldo Siqueira

Esta foto mostra a entrada do CES 2020. Esse evento não será realizado este ano, de forma presencial. É uma pena, em especial para aqueles, jornalistas ou não, que têm participado desse evento nos últimos anos. Em meu caso pessoal, fico mais triste ainda, porque tenho coberto o CES de Las Vegas, desde 1970.
São 50 anos de acompanhamento não apenas dos lançamentos dos grandes produtos de eletrônica desse período, como da própria evolução da eletrônica de consumo e entretenimento nesse longo período. Embora o evento tenha nascido no hotel Hilton Nova York em 1967, ele cresceu tanto que passou a ser realizado semestralmente, alternadamente, em Chicago, em junho, e em Las Vegas, em janeiro. Depois passou a ser anual, sempre em Las Vegas.

Lembro-me que o nome original do CES era Las Vegas Consumer Electronics Show, mas, desde os anos 90, o evento passou a ser simplesmente identificado pela sigla CES, por ter sido aberto a outros produtos, como os da casa inteligente, da internet, drones e de outras áreas.

Curiosamente, a Apple não aderiu de imediato ao CES e preferiu fazer seus lançamentos em eventos exclusivos da empresa. Na história de seus produtos, o maior sucesso da Apple foi, sem dúvida, o Macintosh. Tanto assim que lançou o primeiro Macintosh no dia 24 de janeiro de 1984, em evento ainda conduzido por Steve Jobs.

Lembro-me do sucesso desse computador não apenas nas primeiras semanas após seu lançamento, mas, também, nos anos seguintes. Na verdade, o Mac revolucionou a computação pessoal.

O primeiro CES, realizado em junho de 1967 em Nova York, como um spin-off do Chicago Music Show, servia até então como palco para a principal exibição de eletrônicos de consumo. A primeira edição do evento contou com 17,5 mil pessoas e pouco mais de 100 expositores. E seu palestrante principal (keynote speaker) foi Bob Galvin, então presidente da Motorola.
Nos primeiros tempos, de 1978 a 1994, o evento era realizado duas vezes por ano: com uma edição em janeiro, o Winter Consumer Electronics Show (WCES) e outra em junho, em Chicago, o Summer Consumer Electronics Show (SCES).

As duas primeiras edições do evento que cobri foram as de 1970 e 1971, em companhia de Eugênio Staub, da Gradiente, que tinha um bom pavilhão no evento. Nos anos seguintes, como enviado especial do Estadão, passei a cobrir o evento e a registrar as novidades lançadas.

O CES foi, sem dúvida, uma espécie de escola de eletrônica de entretenimento, tanto para mim como para muitos jornalistas. Além da grande exposição, tivemos a oportunidade de assistir a palestras incríveis de Steve Jobs e Bill Gates, numa época em que eles surgiam como líderes de um novo tempo, no mundo da tecnologia.

O CES 2021, totalmente virtual

Infelizmente, no próximo janeiro, nem eu nem ninguém estará fisicamente presente no CES 2021, em Las Vegas, porque o evento será totalmente virtual. Vale lembrar que, nas últimas décadas, praticamente todos os grandes lançamentos de eletrônica de entretenimento e de tecnologia pessoal de lá para cá foram feitos nesse evento.

Em 2021, segundo a CTA (Consumer Technology Association), organizadora do evento, a feira e seu congresso serão totalmente virtuais, para não impactar a segurança de todos os frequentadores.

Os amigos mais velhos talvez se recordem do que era o Brasil e o mundo de 1970, quando o Brasil ganhou pela terceira vez a Copa do Mundo, realizada no México.
Pois bem, naquele ano, a humanidade não dispunha de computadores pessoais, nem de CDs, de TV digital, de DVDs, de Blu-rays, de celulares, de internet, de tomografia computadorizada ou de imagens de vídeo de alta definição. Tudo isso intriga os garotos e jovens de hoje, que nos perguntam, admirados: “Como era viver num mundo sem computador, celular e internet?

• Em 1974, a Philips holandesa lançou o Laserdisc Player – o reprodutor dos bolachões prateados com leitura de áudio digital e imagens analógicas. Não pegou.

• Em 1981, nasceu o CD player ou Compact Disc Player, o aparelho que tocava CD, desenvolvido pela Philips, sistema de gravação digital que foi sucesso até a primeira década do século 21.

• Em 1990, explodiu as variantes da tecnologia digital de áudio (Digital Audio Technology) com diversas opções de gravações digitais, em fita, em CDs graváveis, em pastilhas de silício.

• Em 1991, é lançado o Compact Disc interativo – CDI.

• Em 1996, ou seja, surgia o DVD (sigla de Digital Versatile Disk). O nome versátil se referia à sua capacidade de gravar áudio, vídeo, fotos, textos, dados ou software.

• Em 1998, surge a tecnologia da Televisão de Alta Definição (High Definition Television ou HDTV). O sucesso foi lento porque o mundo tinha que migrar das redes de TV analógica para as de TV digital (coisa ainda está por ser concluída no Brasil de hoje).

• Em 1999, surge aquele sistema de gravação digital que usamos mais sobre nossa TV, o Gravador Digital em Disco (para programas de TV ou de Vídeo). É também conhecido como Hard-disc VCR ou PVR.

• Fornecedores e mídia também se referem às unidades com estes nomes: gravador de vídeo digital (DVR); Receptor de TV pessoal (PTR); Estação de vídeo pessoal (PVS); E gravador de disco rígido (HDR).

• No ano 2000, surge o primeiro serviço de rádio digital via satélite (Satellite Radio).

• Em 2001, a Microsoft lança seu primeiro Xbox. E surgem os primeiros televisores de plasma.

• Em 2002, todos os tipos de mídia digital se integram no primeiro servidor doméstico de mídia (Home Media Server). Embora seja um grande avanço funcional, não pegou. Só os mais antenados em eletrônica e tecnologia gostam desse tipo de integração: áudio, vídeo, rádio, TV (broadcast e Pay TV) etc.

• Em 2003, um grande salto na qualidade dos DVDs, com o lançamento de seu sucessor: o Blu-Ray DVD e o gravador pessoal de vídeo de alta definição, o HDTV PVR.

• Em 2004, chega o Rádio de Alta Definição.

• Em 2005, a TV via internet ou IP TV. (Internet Protocol Televison).

• Em 2007, há diversas demonstrações da convergência de conteúdo e de tecnologias em sua fase mais avançada.

• Em 2008, é apresentada a primeira TV OLED de grandes dimensões.

• Em 2009, a TV de alta definição em 3D (com óculos).

• Em 2010, surgem os novos tablets, netbooks e os dispositivos Android.

• Em 2011, há uma montanha de lançamentos de TVs conectadas (via web), Aparelhos Domésticos Inteligentes, o Carro Ford Elétrico Focus, o smartphone Motorola Atrix, um Android simples, mas com funcionalidades completas, embora não ofereça funcionalidades para lazer e diversão. E ainda o Microsoft Avatar Kinect (com aqueles bonequinhos vivos e móveis).

• Em 2012, surgem os Ultrabooks, uma ideia de marketing para dar nova vida aos notebooks, com sucesso relativo. Nasce a TV de OLED 3D e os tablets Android 4.0.

• 2013 é o ano do lançamento da Ultra HDTV (ou 4K), do OLED flexível, e da tecnologia dos Carros Autônomos (Driverless Cars).

• Em 2014, começam a popularizar-se as Impressoras 3D, a tecnologia dos sensores, as TVs curvas de Ultra HD e as Tecnologias dos Vestíveis (Wearable Technologies).

• Em 2015, surgem no mercado os primeiros televisores 4K UHD, os produtos de Realidade Virtual e os Sistemas não tripulados (como drones e outros).

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