Satélite sino-brasileiro completa um ano em órbita

Ethevaldo Siqueira, com informações do INPE

O satélite CBERS 04A, desenvolvido em parceria com a China, completou um ano em órbita no dia 22 de dezembro de 2020. Lançado em 20 de dezembro de 2019 da base chinesa de Tayuan, ele é o sexto satélite do Programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite; em português, Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres).

Ao longo deste primeiro ano de operação em órbita, com vida útil projetada para, no mínimo, de 5 anos, o satélite vem fornecendo diariamente imagens de sensoriamento remoto do território nacional e de outras áreas do globo (com o uso do gravador a bordo). Neste primeiro ano de operação o satélite já distribuiu a órgãos governamentais, instituições de ensino e iniciativa privada mais de 300.000 imagens.

O CBERS 04A é um satélite de classe mundial, que leva a bordo três câmeras, sendo duas brasileiras (MUX e WFI) e uma chinesa (WPM). A multiplicidade de sensores permite ao CBERS 04A produzir imagens capazes de atender a diversas aplicações, como monitorar desmatamentos, queimadas, o nível de reservatórios, desastres naturais, a expansão agrícola e o desenvolvimento das cidades, entre outras. Cada câmera possui um nível de resolução capaz de gerar imagens no detalhamento necessário conforme a aplicação.

A câmera WPM, com resolução espacial de 2m na banda pancromática e 8m nas bandas multiespectrais, com revisita de 31 dias e faixa de imageamento de 92km, é ótima para estudos urbanos que requerem informações bastante detalhadas.

Proteção da Floresta Amazônica

Famosa por sua biodiversidade, a Floresta Tropical Amazônica, que cobre boa parte do noroeste do Brasil e se estende até a Colômbia, o Peru e outros países da América do Sul, é a maior floresta tropical do mundo. Ela é atravessada por milhares de rios, entre eles o rio Amazonas, o maior do planeta em volume de água. Entre as cidades ribeirinhas, com arquitetura do século XIX que data do início da exploração de borracha, destacam-se Manaus e Belém, no Brasil, e Iquitos e Puerto Maldonado, no Peru.

O programa detecta, quantifica e monitora, por meio de imagens de satélites, o desmatamento e outras formas de pressão humana. O objetivo geral do programa é detectar, quantificar e monitorar, por meio de imagens de satélite, o desmatamento, a degradação florestal, a exploração madeireira, as estradas não oficiais e outras formas de pressão humana na Amazônia Legal.

Os resultados do monitoramento são combinados com diversos mapas digitais, por meio de Sistemas de Informações Geográficas (SIG), para a qualificação dos problemas ambientais e planejamento regional. O programa também desenvolve propostas para políticas públicas e capacitação em geotecnologias e dissemina estrategicamente os seus resultados, contribuindo para a redução do desmatamento e degradação florestal.

O Imazon é um instituto brasileiro de pesquisa cuja missão é promover a conservação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia. É uma associação qualificada pelo Ministério da Justiça do Brasil como organização sem fins lucrativos, como “Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip).”

O INPE e seu trabalho

Membro do International Charter Space and Major Disasters, um consórcio de agências espaciais de vários países, o INPE fornece, sem custos, imagens CBERS para o monitoramento de situações de emergência causadas por desastres naturais em todo o mundo.

De forma análoga ao que já vinha acontecendo com as imagens do CBERS-4, muitas imagens do CBERS 04A estão sendo usadas por empresas dos setores agrícola, florestal e de mineração. Para o INPE, responsável pela execução no Brasil pelo Programa CBERS, a forte demanda do setor privado demonstra que as imagens do satélite agregam valor aos negócios, como fonte de informações estratégicas.

Em 2004 o INPE adotou a política de dados livres por meio do programa CBERS, tendo influenciado decisões semelhantes tomadas pelo USGS (United States Geological Survey) e pela ESA (European Space Agency), em 2007 e em 2009, para os programas Landsat e Sentinel, respectivamente.

O Programa CBERS nasceu de uma parceria inédita entre Brasil e China no setor técnico-científico espacial firmada em 1988 e que completou 30 anos em julho de 2018. Com ela, o Brasil ingressou no seleto grupo de países detentores da tecnologia de geração de dados de sensoriamento remoto, tão importante em um país com as dimensões do Brasil.

Os satélites com as características dos da família CBERS inseriram Brasil e China na categoria dos países detentores dos satélites mais utilizados em todo o mundo, como Estados Unidos (Programa Landsat — atualmente Landsat-8 — da NASA/USGS), Índia (Resourcesat) e União Europeia (satélites SENTINEL 2A e 2B do programa europeu Copernicus). Suas especificações refletem o compromisso técnico entre resolução espacial, espectral e ciclo de revisita que atende à maioria das aplicações de satélites em todo o mundo.

O programa é gerenciado pela AEB (Agência Espacial Brasileira) e pela CNSA (Administração Nacional Espacial da China), tendo como executores técnicos o INPE e a CAST (Academia Chinesa de Tecnologia Espacial).

As imagens estão disponíveis para o público no catálogo do INPE e podem ser acessadas por meio do endereço:

http://www2.dgi.inpe.br/catalogo/explore

https://www.dailymotion.com/video/x6yx58d

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