O mundo pode retornar aos projetos de aviões supersônicos

Por Ethevaldo Siqueira

Os leitores mais velhos se recordam, com certeza, do mais famoso avião supersônico, o Concorde franco-britânico, dos anos 1970. Ou de seu concorrente soviético, o Tupolev 144.

O Concorde podia fazer a rota Rio-Paris em menos de duas horas. O problema era uma escala em Dakar, por simples questão de segurança de combustível. Fiz o voo Paris-Rio em 1977 naquele belo supersônico. Voei também no Tupolev 144 de Moscou a Alma Ata, no Cazaquistão.

Os hipersônicos foram abandonados, em especial, porque se tornaram antieconômicos, quando os preços do petróleo foram multiplicados por 10 no começo dos anos 1980.

O mundo volta a projetar novos aviões hipersônicos que possam voar até 6.000 km ou mais. A empresa Stratolaunch constrói, testa e opera veículos hipersônicos — ou seja, aqueles que podem viajar pelo menos cinco vezes a velocidade do som, ou Mach 5.

Esses aviões deverão usar o software de voo da empresa Draper no supersônico Talon-A, um Mach 6 — totalmente reutilizável, autônomo e movido por combustível do tipo foguete líquido.

Sou pessimista a curto prazo sobre a viabilidade de hipersônicos a mais de 3.000 km/hora. Mas a tentativa é válida, desde que sejam garantidas a viabilidade de duas questões essenciais: a segurança e a economia. 

Para relembrar

Avião supersônico é uma aeronave capaz de voar mais rápido que a velocidade do som (Mach 1, ou 1.228 km/hora). Os aviões supersônicos foram desenvolvidos na segunda metade do século XX e foram usados quase inteiramente para fins de pesquisa e objetivos militares. Apenas dois, o Concorde e o Tupolev Tu-144, foram projetados para uso civil como aviões de passageiros. Os caças são o exemplo mais comum de aviões supersônicos. 

A aerodinâmica do voo supersônico é chamada de fluxo compressível por causa da compressão física associada às ondas de choque ou "estrondo sônico" criada por qualquer objeto que viaja mais rápido do que o som.

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