Conectividade e colaboração neste 9 de setembro

Por Ethevaldo Siqueira

Quanto mais conectados estamos, mais podemos produzir de forma colaborativa. E, para alegria dos idealistas, ao longo da história, o mundo contar hoje com a internet como a mais poderosa ferramenta para estimular a colaboração entre os seres humanos.

Aliás, a colaboração neste século 21 pode ser considerada uma das mais poderosas alavancas de transformação da economia, dos negócios, dos serviços, das pesquisas e da educação, entre outras áreas.

Há centenas de exemplos do poder da colaboração, mas, para mim, um dos melhores é sistema operacional UNIX, como um dos melhores exemplos da força da colaboração. Em 1991 um jovem finlandês, Linus Torvald, fez um apelo a todos que quisessem colaborar com ele no desenvolvimento de um novo software aberto, baseado no sistema operacional UNIX, considerado então o mais seguro, avançado e poderoso. Centenas de milhares de pessoas atenderam ao apelo do jovem idealista e daí nasceu o software livre LINUX, que faz sucesso em todo o mundo. Há muito mais coisas nessa área.

Mas há outros exemplos do valor e do poder da colaboração. Sou usuário, admirador e colaborador da Wikipédia, a enciclopédia mundial, escrita em mais de 299 línguas. Lançado em 15 de janeiro de 2001, esse projeto de enciclopédia multilíngue de licença livre, baseado na web e escrito de maneira colaborativa se expandiu e alcançou 299 idiomas ativos e já acumula mais de 51 milhões de artigos (dos quais, 1.043.130 em português, até hoje, 9 de setembro de 2020).

Todo o conteúdo da Wikipédia tem sido produzido de forma colaborativa e conjunta por diversos voluntários ao redor do mundo. Quase todos os verbetes presentes no site eletrônico podem igualmente ser editados por qualquer pessoa com acesso à internet e ao seu endereço eletrônico.

Para alguns especialistas, até 2022, o ambiente colaborativo da internet vai ampliar de forma exponencial o volume de inovações, o número de produtos e novos entrantes, incluindo sistemas de ensino, tutoriais, grandes fornecedores e companhias tradicionais de colaboração.

Inovações colaborativas

Entre os melhores exemplos recentes de inovações totalmente colaborativas estão hoje os milhares de novos aplicativos gratuitos que nos permitem fazer até ligações internacionais, localizar táxis, conhecer a situação do trânsito urbano e obter uma infinidade de informações úteis que melhoram nossa qualidade de vida.

A internet nasceu de uma rede pioneira, denominada ARPANET (sigla de Advanced Research Projects Agency Network), que era uma rede de comutação de pacotes e a primeira rede a implementar o conjunto de protocolos TCP/IP (Transmission Control Protocol e Internet Protocol). Ambas as tecnologias se tornaram a base técnica da Internet.

A ARPANET funcionava por intermédio de um sistema conhecido como comutação de pacotes, que é um sistema de transmissão de dados em rede de computadores no qual as informações são divididas em pequenos pacotes, que por sua vez contém trecho dos dados, o endereço do destinatário e informações que permitiam a remontagem da mensagem original.

O ataque inimigo nunca aconteceu, mas o que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos não sabia era que dava início ao maior fenômeno midiático do século 20', único meio de comunicação que em apenas 4 anos conseguiria atingir cerca de 50 milhões de pessoas.

Em 29 de outubro de 1969 ocorreu a transmissão do que pode ser considerado o primeiro E-mail da história. O texto desse primeiro e-mail seria "LOGIN", conforme desejava o Professor Leonard Kleinrock da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), mas o computador no Stanford Research Institute, que recebia a mensagem, parou de funcionar após receber a letra "O".

A criação da Internet

Tim Berners-Lee criou a Worldwide Web, com base na linguagem Hypertext Markup Language (HTML) em 1990. Seu trabalho havia sido começado em 1989, quando propôs ao laboratório CERN um projeto de comunicação com o uso de hipertexto, em que vários documentos poderiam ser interligados por referências eletrônicas. Trabalhando num computador pessoal NeXT, o físico desenvolveu então a HTML, além do Hipertext Transfer Protocol (HTTP, protocolo para troca de arquivos), a Universal Resource Locator (URL, sistema de endereços) e o primeiro navegador.

Em 6 de agosto de 1991, ele tornou o projeto público, permitindo que as pessoas baixem o servidor e o navegador que ele desenvolveu. O primeiro website do mundo foi, então, o do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), no endereço http://info.cern.ch. Inicialmente, o site passou a trazer explicações sobre o que é a web, como obter um navegador e como configurar um servidor de web. Berners-Lee torna suas idéias disponíveis livremente, sem patentes ou cobrança de royalties.

Um idealista

Numa entrevista que concedeu a este jornalista no ano 2004, Berners-Lee explicou por que não registrou a patente de seu invento: “Diversos colegas me aconselharam a registrar a patente da WWW. Mas eu não quis. Achei que deveria doar à humanidade aquela ferramenta tão útil à comunicação. Nunca pensei em ficar milionário. Ganho bem e tenho tudo que mais desejo”.

Berners-Lee é, portanto, um idealista. Abriu mão dos direitos de propriedade intelectual da invenção da World Wide Web, deixando deliberadamente de patenteá-la. Se o fizesse, poderia ser hoje o homem mais rico do mundo.

O governo da Finlândia homenageou-o em 2004 com o Prêmio de Tecnologia do Milênio, oferecendo-lhe também um cheque de 1 milhão de euros (US$ 1,350 milhão). Fundou o World Wide Web Consortium em 1994, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Esse consórcio é uma reunião de empresas que têm como objetivo criar padrões e recomendações para aprimorar a qualidade.

Três curiosidades

Eis, a seguir, três exemplos curiosos de fatos registrados pela Wikipédia neste 9 de setembro de 2020:

1. Francisco Madero, 37º Presidente do México, publicou um livro que contribuiu à Revolução Mexicana inspirado por cartas que ele alegadamente psicografou de espíritos.

2. Jiroemon Kimura (Quioto, 19 de abril de 1897 — 12 de junho de 2013) é considerado pela Wikipédia o homem mais longevo de que se tem conhecimento: morreu em junho de 2013 com a idade de 116 anos, depois da morte de Dina Manfredini, que faleceu com 115 anos.

3. A empresa japonesa Nintendo, fundada em 1889, chegou a prestar serviços como fornecedora de alimentos, de serviços de táxis e “hotéis do amor” (prostíbulos) antes de se tornar conhecida por jogos eletrônicos.

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