Internet à prova de hackers, ainda este ano

Ethevaldo Siqueira, em 4 de setembro de 2020


Pesquisadores holandeses concluirão uma internet quântica entre Delft e Haia, ainda este ano. Para demonstrar a viabilidade dessa nova tecnologia, uma equipe liderada pela cientista alemã Stephanie Wehner (foto), da Delft University of Technology, está construindo uma rede que interliga quatro cidades na Holanda e será a primeira do mundo a utilizar esse avanço.

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Stephanie Wehner — física alemã e cientista da computação — é líder do roteiro da iniciativa “Internet e Computação em Rede Quantum na QuTech”, responsável pelo desenvolvimento e pela introdução do modelo de armazenamento ruidoso na criptografia quântica.

Nos últimos anos, os cientistas aprenderam a transmitir pares de fótons através de cabos de fibra óptica de uma forma que protege totalmente as informações neles codificadas. Com esse recurso, o mundo poderá contar em breve com uma internet baseada em física quântica, que permitirá comunicação totalmente segura. Na prática — como prevê Yoshi Sodeoka, artista multidisciplinar japonês — “o desempenho da nova internet poderá ser considerado revolucionário”. E, com certeza, as mensagens enviadas serão praticamente invioláveis. Isso significa, na prática, que elas não poderão ser hackeadas.


E as pesquisas com esse objetivo se multiplicam em todo o mundo. Uma equipe na China usou uma forma da tecnologia para construir um backbone de rede de 2.000 quilômetros entre Pequim e Xangai — mas esse projeto depende parcialmente de componentes clássicos que interrompem o link quântico periodicamente antes de estabelecer um novo, o que apresenta o risco de hacking.

Para superar esses problemas, a rede holandesa de Delft será a primeira a transmitir informações entre cidades usando técnicas quânticas de ponta a ponta. A tecnologia se baseia no comportamento quântico de partículas atômicas denominado emaranhamento. O que garante a eficiência do sistema é que fótons emaranhados não podem ser lidos secretamente sem interromper seu conteúdo.

O maior problema para os cientistas é o fato de as partículas emaranhadas serem difíceis de criar e ainda mais difíceis de transmitir a longas distâncias. A boa notícia é que a equipe de Stephanie Wehner demonstrou que pode enviar os pares de fótons a mais de 1,5 km, e esperam estabelecer uma ligação quântica entre Delft e Haia por volta do final de 2020. Para garantir uma conexão ininterrupta em distâncias maiores, será necessária a instalação de mais repetidores quânticos com o objetivo de estender a rede.

Repetidores desse tipo estão sendo projetados tanto em Delft como em outros lugares. O primeiro deve ser concluído nos próximos cinco ou seis anos, diz Stephanie Wehner, com uma rede quântica global seguindo até o final da década.

• Por que é importante? A internet está cada vez mais vulnerável a hackers; um vínculo quântico seria praticamente inviolável.

• Principais players: Delft University of Technology Quantum Internet Alliance; Universidade de Ciência e Tecnologia da China.

• Disponibilidade: em cerca de 5 anos.

 

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