Uso de smartphones: qual o limite entre o uso consciente e o vício?

29/06/2020 - Uma pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas mostrou que, no Brasil, há mais smartphones ativos do que pessoas. São 220 milhões de aparelhos para 207,6 milhões de habitantes.

Segundo o pesquisador Adam Alter, Ph.D. em Psicologia pela Princeton University, existem algumas razões que justificam a dependência das pessoas pelos celulares. De acordo com ele, a primeira seria o fato de esses aparelhos estarem amplamente disponíveis.

 Uma pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas mostrou que, no Brasil, há mais smartphones ativos do que pessoas / Crédito: Jens Johnsson

A segunda razão é a existência de características psicológicas inerentes à experiência de usar o celular que nos prendem a ele, como a ausência de sinais que indicam que devemos interromper algum comportamento. Diferentemente de ler um livro ou assistir à TV, onde há indicativos de pausas, como o fim de um capítulo ou intervalos para a veiculação de comerciais, ao usar o celular no Instagram ou Facebook podemos rolar por horas sem fim.

O terceiro motivo, segundo o pesquisador, seria a quantidade de recompensas que o eletrônico nos traz durante o dia, como likes, mensagens, comentários e o recebimento de fotos, por exemplo. De acordo com Adam Alter, essas recompensas nos propiciam doses pequenas de satisfação, devido à liberação de dopamina, o neurotransmissor do prazer.

Pais e escola têm um papel fundamental na orientação para que os jovens façam uso saudável da tecnologia / Crédito: Ridofranz/iStock

De acordo com Tathiana Machado de Queiroz, orientadora educacional da 2ª série do Ensino Médio do Colégio Presbiteriano Mackenzie (CPM) São Paulo, os jovens passam, em média, de seis a sete horas por dia conectados, ou até mais. Se considerarmos esse tempo projetado na vida, haveria uma estimativa de cerca de 11 a 15 anos conectados a uma tela durante a vida inteira! Quais seriam as soluções para que houvesse uma dosagem melhor nesse hábito e, assim, os pais conseguirem proporcionar aos filhos mais qualidade de vida?

A orientadora educacional avalia que essa reflexão pode levar a uma comunicação eficiente entre pais e filhos. "Façam combinados sobre o tempo do uso do celular, se proponham a deixá-los guardados durante as refeições. As pessoas que conseguem fazer isso relatam ter experiências mais ricas de interação. Incentive a autodisciplina e o autocontrole do adolescente", aconselha.

Outra recomendação de Tathiana seria a busca por alternativas viáveis que possam substituir a distração oferecida pelos celulares. "Os pais podem propor desde a meditação ou a prática de exercícios, até a leitura e jogos em família. É muito difícil fazer isso quando se tem os celulares disponíveis, porém, quando se propõe com antecedência a definição de um horário onde o uso do celular será proibido, tenho certeza que novas ideias de distração surgirão", avalia.

A escola pode e deve ter um papel fundamental na intervenção sobre o uso excessivo dos celulares, e por meio de palestras e encontros de orientação falar sobre a internet segura, seus benefícios e prejuízos à saúde.

Vale ressaltar que a adolescência é uma fase difícil, pois além de ter que lidar com as mudanças no cérebro e na aparência, o adolescente também enfrenta o desafio de encontrar seu novo lugar no mundo, pois não é mais uma criança nem pode ser considerado um adulto. Entender essa fase significa aceitar um eventual comportamento de apatia ou o desejo por ficar sozinho, por exemplo. Entretanto, é essencial que os pais fiquem atentos, de forma a serem capazes de diferenciar uma apatia temporária de uma possível depressão.

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