Em entrevista exclusiva Rodrigo Abreu mostra como recuperar a Oi

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Por Ethevaldo Siqueira
06/11/2019 - Em entrevista exclusiva ao Mundo Digital, Rodrigo Abreu, Diretor de Operações da Oi, mostra o grande potencial da operadora, bem como os melhores resultados obtidos até aqui em seu processo de recuperação. Maior operadora de telecomunicações do Brasil, a Oi está presente em todo o território nacional e atende à maior parcela de assinantes do País. No entanto, ao longo das últimas duas décadas, essa operadora enfrentou sérios problemas, o que a levou a entrar em recuperação judicial em 2016.

A empresa vive, no entanto, um período muito positivo de recuperação, depois de reestruturada sua dívida, da criação de uma base totalmente nova de acionistas e de ter convertido sua dívida em capital – segundo afirma Rodrigo Abreu, diretor de Operações da empresa.

"A Oi tem que investir em todos os lugares ao mesmo tempo e em todas as tecnologias", avalia Rodrigo Abreu

Segundo o executivo, o processo de reestruturação e de correção de rumos já produz resultados que permitem prever a superação de seus maiores problemas nas quatro áreas que afetam a vida da empresa: a) Estrutura financeira; b) Governança; c) Ambiente regulatório; e da d) Qualidade de operação.

O maior desafio de hoje, segundo o Diretor de Operações, é gerar produtos, gerar serviços e criar novas fontes de receita. Isso envolve o investimento nas áreas corretas. "E, como toda empresa de telecomunicações integradas, que opera tanto em serviços fixos como em móveis, a Oi tem que ter uma precisão cirúrgica de investimento: temos que investir em todos os lugares ao mesmo tempo e em todas as tecnologias. Uma empresa que tivesse que investir em tudo isso, num país continental como o Brasil, teria que investir de R$ 12 a 15 bilhões por ano. Nenhuma empresa poderia investir tudo isso no Brasil de hoje".

Para 2020, a projeção da Oi é investir cerca de R$ 7 bilhões. A grande vantagem da operadora é que sua infraestrutura já é muito maior, não exigindo investimentos de curto prazo.

Tudo começa a melhorar

Ao longo da história da Oi, relembra Rodrigo Abreu, a operadora passou por uma série de fases, desde a privatização até hoje. O maior dos problemas decorreu da falta de equilíbrio financeiro. Lá no passado, em seus primeiros anos, recorda Rodrigo Abreu, a empresa decolou com grande capacidade de investimento.

Hoje, as perspectivas são muito mais positivas, com a combinação de quatro elementos que permitem olhar para a empresa e avaliar seu enorme potencial. Os problemas de sustentabilidade e de estrutura financeira já não existem mais. E é bom relembrar que, durante algum tempo, foi a questão financeira que levou à recuperação judicial.

Para 2020, a projeção da Oi é investir cerca de R$ 7 bilhões. A grande vantagem da operadora é que sua infraestrutura já é muito maior, não exigindo investimentos de curto prazo.

Recentemente, para fortalecer seu caixa e permitir mais investimentos, a empresa decidiu vender ativos não essenciais. Mas, para resolver sua situação, a empresa tinha que ir muito além da estrutura financeira, e corrigir problemas nas áreas de governança, de regulação e de sua capacidade de operação.

Para a venda de ativos, a Oi tem um plano bem elaborado. Há uma série de ativos não essenciais já listados no plano para venda. Um deles é a Unitel (operadora angolana em que a Oi tem 25% das ações). Ela vale cerca de US$ 1 bilhão. Há ainda torres, data centers, empresas de fibra, ativos imobiliários. Com a aprovação do novo marco regulatório, há chance maior de venda de ativos imobiliários.

Na área dos imóveis, a empresa poderá vender ativos da ordem da R$ 1 bilhão. A empresa vendeu recentemente, um prédio na Rua General Polidoro, no Rio de Janeiro, por R$ 120 milhões. Mas há ainda novos planos para a capitalização da Oi, como emissão de ações, contratação de dívida com ou sem garantia e financiamento para a produção.

Além da venda de imóveis, há outros ativos importantes não essenciais que poderão ser vendidos pela operadora. Será a venda de ativos não estratégicos, o uso de créditos fiscais já ganhos e a emissão de dívida garantida. Essa dívida garantida – empréstimos calcados em ativos ou expectativas de receitas – pode trazer para a companhia de R$ 2,5 bilhões a R$ 4,5 bilhões, perfazendo um total de R$ 12 bilhões a R$ 15 bilhões, em um horizonte de tempo relativamente curto. "Isso vai servir para suportar todas as nossas iniciativas de negócios", segundo Abreu.

Os créditos fiscais, fruto de vitórias judiciais sobre PIS e Cofins, somam R$ 3,1 bilhões e já estão sendo utilizados no abatimento de impostos federais.

Os demais elementos

Um segundo elemento questionado no diagnóstico da empresa era a governança. "Depois da construção do novo conselho, estamos em situação de absoluta harmonia" – garante Rodrigo Abreu. Hoje não há nem um problema nessa área, pois, a Oi hoje não tem uma empresa controladora. Seu capital está praticamente pulverizado. Seu maior acionista detém 14% do capital. E já não participam do capital antigos acionistas como o BNDES, Andrade Gutierrez e outros. Com isso, não há mais conflitos no conselho de acionistas. Não há disputas para se tomar o controle.

Vale lembrar que, logo depois de 1998, nos primeiros anos de vigência da Lei Geral de Telecomunicações, a regulação era moderna e eficaz. Depois de mais 15, entretanto, ela envelheceu, e, sua atualização foi lenta demais, com paralisação do PLC no Senado por mais de dois anos.

O desequilíbrio da regulação foi enfrentado com sucesso. "Em 2018 e 2019, tivemos boas notícias, começando pelo aumento dos limites de espectro que podem ser detidos por cada operadora, o que abre espaço para um mercado mais dinâmico. Essas novas regulamentações do setor permitirão novos investimentos. E, num horizonte de médio ou longo prazo, a migração do status de concessionária a autorizada," explica o executivo.

E o lado operacional? Rodrigo Abreu relembra que, nos primeiros tempos, o maior problema da operação era a fusão complicada das 26 empresas do antigo Sistema Telebrás, com muitas diferenças de qualidade e diversidade de problemas.

Hoje, a grande aposta da Oi nessa área está apoiada, acima de tudo, nas tecnologias mais avançadas e, em especial, no potencial de sua enorme infraestrutura de fibra óptica – a maior do País – que permitirá a empresa oferecer muito mais serviços avançados de banda larga, seja para Dados e novos Serviços, como a FTTH (fiber to the home), que poderá levar a fibra a muitos milhões de residências. A conclusão mais positiva é que a operação melhorou sensivelmente e ajudou a manter a companhia viável.

Em resumo, conclui Rodrigo Abreu, o que era preciso fazer está sendo feito e, com certeza, dará sustentabilidade à empresa, com a recuperação dos quatro elementos essenciais à sua viabilidade:
• Estrutura financeira,
• Governança,
• Ambiente regulatório e
• Qualidade de operação.


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