Você aceitaria tomar um café pagando com seus dados pessoais?

Por Thomas Hornigold, do Singularity Hub, com tradução livre de Thais Sogayar
11/10/2018 - No Shiru Café perto da Brown University, em Providence, Rhode Island, os estudantes podem tomar uma xícara de café sem gastar um centavo. A moeda nesse caso é a informação.

Os alunos podem obter café gratuitamente, se preencherem um formulário online. Eles listam detalhes pessoais, como nomes, números de telefone e endereços de e-mail, juntamente com informações menos genéricas sobre seu programa de estudo e suas ambições profissionais.

O modelo de negócios é passar esses dados para os recrutadores de empresas que patrocinam o café, como o JP Morgan, que realiza eventos em que discute as escolhas de carreira com os alunos.

O site da Shiru descreve sua missão: "Através de uma bebida gratuita, disponibilizamos algumas informações das empresas patrocinadoras – exclusivamente aos estudantes universitários, – para diversificar as escolhas de suas futuras carreiras."

No Shiru Cafe, em Providence, R.I., os estudantes "pagam" o café, mas não com dinheiro. A moeda é a informação / Crédito: Chaiel Schaffel / Rhode Island Public Radio

A equipe de funcionários da Shiru está pronta para fornecer informações sobre sua carreira. Naturalmente, as bebidas gratuitas estão realmente sendo pagas pelas corporações, que estão comprando o acesso para procurar possíveis candidatos a emprego.

À primeira vista, pode parecer algo deprimente, transacional ou mesmo predatório, vender suas informações pessoais em troca de cafeína e suco. Afinal, nenhum de nós gosta de pensar em nós mesmos como um mercado-alvo. Não gostamos de refletir sobre as muitas forças concorrentes que buscam moldar nossas escolhas, especialmente sobre algo tão pessoal e importante quanto nossas decisões profissionais.

No entanto, Shiru Café é literalmente aberto e honesto sobre o uso de dados pessoais. O modelo de negócios do Facebook, que recentemente tivemos grandes motivos para repensar, sempre foi o mesmo: ele coleta informações sobre você e as vende para anunciantes que desejam influenciar as decisões que você toma.

Em troca, eles fornecem um serviço: acesso ao site, um fluxo personalizado de conteúdo interminável, projetado para mantê-lo clicando, gratuitamente. Esses centros de dados colossais não vêm de graça: você paga por eles com suas informações e sua atenção.

A velha máxima parece verdadeira: se você está recebendo algo de graça, você é o produto

Para alguns, a economia da informação já está profundamente enraizada, para começar a se preocupar com isso agora. Nina Wolff Landau, uma estudante, disse que os dados coletados são facilmente acessíveis no LinkedIn ou em outros sites com uma rápida pesquisa no Google.

"Talvez eu devesse ter ficado mais apreensiva, mas todo mundo tem suas informações neste momento", disse ela. “Dar meu nome e e-mail e o que eu estudo não parece tão arriscado para mim.”

Quando o algoritmo de um gigante de mídia social segmenta adolescentes que julgam estar deprimidos, ou podem ser vítimas de algum um empréstimo predatório, ele pode culpar apenas a natureza de caixa preta desse algoritmo.

O admirável mundo novo do dataism, onde tudo, desde os seus hábitos de compra até suas assinaturas biométricas, é a base para algoritmos de aprendizado de máquina que querem entender tudo sobre você, promete.

Todos esses dados poderiam ser usados ​​para tornar os serviços mais convenientes e mais eficazes; poderiam ser usados para ajudar em tudo, desde cuidados de saúde até respostas a desastres. Ou podem ser vendidos pelo maior lance e expô-lo a um fluxo de anúncios.

Desenvolvimentos tecnológicos como a Internet das Coisas e a casa inteligente, podem ser o próximo passo em conveniência e economia de tempo, da mesma forma que aparelhos elétricos como o aspirador de pó, a lava-louças e a lavadora de roupas foram décadas antes.

Ou poderiam estar nos facilitando ainda mais para um mundo de “vigilância participativa”, onde trocamos conforto e conveniência por uma presença externa que está sempre nos monitorando em segundo plano.

O que quer que você pense do experimento de Shiru - e as críticas certamente são mistas, tanto de corporações quanto de estudantes - a forma como nossos dados e informações são tratados, é um tópico crucial para ser estudado e monitorado.

Se suas informações esão tão valiosas para muitas empresas, elas não devem ter algum valor para você?

 

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