Colonizar Marte? É algo improvável, além de ser uma má ideia

07/08/2018 - Este artigo de Andrew Coates, UCL (London's Global University) foi publicado no portal Space.com – com tradução livre por Ethevaldo Siqueira, que apenas para sugere a temática

Elon Musk, dono da SpaceX e fundador da Tesla, propõe a colonização de Marte, baseado em um grande foguete, explosões nucleares e uma infraestrutura para transportar milhões de pessoas. A ideia foi considerada altamente ambiciosa, mas tecnicamente desafiadora de várias maneiras. Entre os maiores obstáculos citados, estão as regras de proteção planetária, as dificuldades para “terraformar” o planeta, ou seja, torna-lo hospitaleiro, por exemplo, aquecendo-o e lidar com a dura e agressiva radiação.

Conceito de casa de gelo de Marte / Crédito: NASA / Clouds AO / SEArch

Implacável, Musk deu um primeiro passo para o seu objetivo em fevereiro deste ano ao propor o lançamento de um carro Tesla Roadster em uma órbita, que viajará para além de Marte no primeiro foguete Falcon Pesado (Falcon Heavy Rocket). Isto reforçou dramaticamente a capacidade crescente de lançamento para futuras missões, disponibilizadas por parcerias entre agências comerciais e governamentais.

Mas seis meses depois de lançados, os planos começaram a parecer mais como fantasia. Desde então, aprendemos que pode haver vida na superfície de Marte e que talvez seja impossível tornar a superfície do planeta “terraformada” (ou com condições semelhantes às da Terra).

A possibilidade de que no momento poderia haver vida no Planeta Vermelho foi levantada na semana passada, quando os cientistas relataram a descoberta de um lago de água salgada na superfície de Marte. O lago estaria a 1,5 km abaixo da calota polar sul e teria menos 20km de diâmetro. Isso foi encontrado na análise de dados feita por um radar subsuperficial da espaçonave Mars Express. Supõe-se que a água seja salgada, com o magnésio provável, o cálcio, e os sais do perclorato de sódio, que atuam como um anticongelante para temperaturas baixas de talvez menos 73,15 ° C ou 200K (Kelvin).

Isso é emocionante, pois é a primeira detecção definitiva de água líquida em Marte, e é possível que haja mais lagos profundos em outros lugares do planeta. Isto significa que há uma possibilidade real de vida atual em Marte.

Nós já sabíamos que a vida poderia ter existido em Marte no passado. Há várias evidências de que Marte teria sido habitável entre 3,8 e 4 bilhões de anos atrás. Dados de missões recentes – que incluem as sondas Mars Global Surveyor, Odyssey, Opportunity, Curiosity e Mars Express – têm fornecido provas de que a água estava presente na superfície em córregos e lagos, com acidez razoável e que a química certa para a vida a evoluir existiu em Marte no mesmo período  que a vida estava evoluindo na terra.

Mas Marte perdeu seu campo magnético, que teria protegido a vida de radiação severa do espaço, há 3,8 bilhões de anos. Isso também significou que sua atmosfera começou a vazar para o espaço, tornando o planeta cada vez mais inóspito. Então, os organismos vivos podem não ter sobrevivido.

Mas enquanto a nova descoberta pode abastecer os sonhos dos colonizadores que a água no lago subsuperficial pode ser utilizável para sustentar uma presença humana, a realidade é muito diferente.

O risco de contaminação significa que não devemos enviar humanos lá até que saibamos com certeza se há vida naturalmente evoluída – algo que poderia levar anos ou décadas. Teremos de perfurar a superfície e analisar amostras, seja no local (in situ) ou por meio de material devolvido à Terra, e encontrar biomarcadores adequados para ter certeza.

Título original: ”Desculpe-me, Elon Musk, mas agora está claro que colonizar Marte é improvável — e uma má idéia”
Data: 5 de agosto de 2018
Este artigo foi originalmente publicado em The Conversation: A publicação ofereceu o artigo para aos portais Expert Voices Op-Ed & Insights, do Space.com

Complete a leitura do artigo aqui:



Deixar seu comentário

0
termos e condições.
  • Nenhum comentário encontrado

newsletter buton