O fim das rádios AM, decisão inexorável das emissoras brasileiras

Por Ethevaldo Siqueira
06/08/2018 - Inspirado em meu querido amigo e colega, Geraldo Nunes, relembro um pouco de história do rádio AM. Aliás, o rádio nasceu com essa tecnologia analógica: a Modulação de Amplitude (Amplitude Modulation), em várias faixas de frequência, como ondas médias, curtas e ondas tropicais, por exemplo. No final deste texto dou a notícia de que o Sistema Globo de Rádio está desativando suas transmissões em AM em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

A partir do nascimento do rádio no mundo, ou seja, depois de 1920, e durante os primeiros 50 a 80 anos, a qualidade era boa ou aceitável, para as exigências do público, embora a resposta de frequência não superasse os 10 kHz, que é sua largura de banda máxima.

Com o passar dos anos – as transmissões de rádio em AM passaram a sofrer muito mais interferências e ruídos, causados pelos sinais elétricos dos carros e por outras ondas eletromagnéticas, inclusive a eletricidade atmosférica dos relâmpagos e raios. Para reduzir essas interferências, era preciso aumentar cada vez mais a potência dos sinais.

Lembro de um fato curioso ocorrido nos anos 1920, segundo testemunho de especialistas da época, que era a possiblidade dos primeiros transmissores instalados no alto do Corcovado, no Rio, com sinais de apenas 100 watts (sim, a 100 W), permitiam sua captação na Califórnia. Hoje, um sinal com essa potência não atinge um bairro vizinho aqui na Cidade de São Paulo. A BBC tinha transmissores com 10kW nos anos 1940 e 1950 e suas transmissões eram captadas em quase todo o mundo.

Na minha infância e juventude nos anos 1940 e 1950, a qualidade do rádio AM era realmente boa. A Rádio Eldorado, fundada em 1949, tinha concertos de música clássica, ao meio-dia, e às 20 horas. A Rádio Excelsior, às 22 horas, tinha um bom programa, chamado “A Música dos Séculos”. Eu ouvia excelentes rádios públicas, do Rio de Janeiro, a Rádio Nacional, a Mayrink Veiga, e, com música clássica, a Rádio Roquette-Pinto (do Rio) e a Rádio MEC.

E o rádio FM? Muito superior em qualidade de áudio – mas de menor alcance geográfico  rádio FM (frequência Modulada) criado em 1933 nos Estados Unidos pelo engenheiro Edwin Armstrong. Sobre ele, podemos falar outro dia.

Agora a notícia do Sistema Globo de rádio 

Quinta-Feira, 02 de agosto de 2018 @ 07:44
Sistema Globo de Rádio anuncia encerramento das atividades de suas AMs em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte
São Paulo - Presença das marcas CBN e Rádio Globo ficarão restritas à faixa FM e também ao digital.

O Sistema Globo de Rádio (SGR) emitiu ontem (1º) um comunicado para informar o encerramento das operações de suas estações AMs próprias, hoje instaladas em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Ainda sem data definida, a Globo argumentou que os produtos de rádio oferecidos pelo sistema (CBN e Rádio Globo) não são mais “suportados pela frequência AM”.

Serão encerradas: 1100 AM de São Paulo (Rádio Globo), 780 AM de São Paulo (CBN), 860 AM do Rio de Janeiro (CBN), 1220 AM do Rio de Janeiro (Rádio Globo) e 1150 AM de Belo Horizonte (CBN). As programações veiculadas na faixa AM nas estações próprias do SGR já contam com participação no dial FM dessas cidades.

A informação ainda não é oficial quanto ao destino das estações, mas a expectativa é de que as cinco rádios AMs geridas pelo SGR retornem à União, ou seja, sairão do ar, sem participarem do processo de migração AM-FM nessas praças (o processo de ida para o FM será via faixa estendida - saiba mais). Mas o SGR não informou o que acontecerá com os canais após o encerramento dos trabalhos atuais.
Acompanhe na sequência o comunicado divulgado pelo SGR.

https://tudoradio.com/noticias/ver/20046-sistema-globo-de-radio-anuncia-encerramento-das-atividades-de-suas-ams-em-sao-paulo-rio-de-janeiro-e-belo-horizonte

 

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